Impacto acústico do viaduto do Minhocão (São Paulo)

Hoje 24 de abril é o Día Internacional de Conscientização sobre o Ruído. Escolhemos este dia para inaugurar nosso blog e apresentar um estudo de impacto acústico sobre o viaduto do Minhocão em São Paulo.

O Elevado Presidente Costa Silva, mais conhecido como Minhocão e uma via expressa que atravessa o centro da cidade de São Paulo ligando a região da Praça Roosvelt e o bairro de Perdizes.

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O minhocão foi idealizado pelo prefeito José Vicente Faria Lima como uma forma de descongestionar o trânsito da Rua Amaral Gurgel e Avenida General Olimpo da Silveira  através de uma via expressa paralela (elevada) com idêntico percurso das ruas, porem sua construção foi adiada varias vezes devido ao enorme impacto sobre a região e a oposição dos moradores e não foi inaugurado ate ano 1970 pelo prefeito Paulo Maluf.

O viaduto, que tem mais de 40 anos de polêmica, tem um comprimento de 3400 metros, 6 fachas é chega a passar a cinco metros dos prédios residenciais com um trafego diário de entre 80.000 e 120.000 veículos diários, o que há produzido uma degradação da vizinhança  e uma desvalorização dos imóveis próximos por conta da poluição do ar a poluição sonora e degradação urbana.

A reação popular devido estes fatos levou a que no 1976 o viaduto fosse interditado durante a noite para reduzir os níveis de ruído na região e favorecer o direito ao descanso dos moradores.

Hoje o viaduto funciona de segunda a sábado entre 6.30 da manha e 21.30 da noite e os domingos sua superfície vira espaço de lazer.

Desde o mandato da Prefeita Luiza Erundina (1989-1992) se começou a falar de sua demolição que não foi produzida ate hoje pela falta de alternativas que prejudicariam a mobilidade da cidade. No ano 2010 o prefeito Kassab divulgou um projeto de demolição porém fontes afirmam que isso não acontecera ate antes de 2025.

A Bracustica desenvolveu um estudo de mapeamento de ruído urbano mostrando o impacto acústico nas proximidades do Minhocão que permite avaliar os níveis de ruído que suportam as fachadas dos prédios do seu entorno.

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O estudo mostra uns níveis de ruído superiores a 75 dBA em quase todas as fachadas o que supera amplamente o valor de 55 dBA recomendado pela Organização Mundial da Saúde para ambientes exteriores.

A norma brasileira NBR 10051 Avaliação de ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade, fixa um níveis máximos de ruído durante o dia de 55 dBA para áreas residenciais e de 60 dBA para áreas com vocação comercial e administrativa, valores que também não são atendidos para o caso do minhocão. Se considerarmos um isolamento acústico típico de uma fachada entre 20 e 25 dBA, significaria que os vizinhos do Minhocão estariam sofrendo uns níveis de ruído no interior da suas residências superiores a 55 dBA em quanto os níveis de ruído recomendados pela OMS são de 30 dBA para ambientes internos.

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O ruído produz danos na saúde (cardiovasculares, sistema nervoso central) porque causa estresse, ansiedade, transtornos do sono (o que também diminui o desempenho e a no trabalho), impossibilidade de concentração, alem de dificultar a comunicação entre as pessoas.

No plano econômico o ruído e o segundo agente poluidor que mais ônus gera nos sistemas de saúde na Europa alem de ser um dos principais fatores de desvalorização dos imóveis.

Os estudos de mapeamento de ruído urbano permitem simular o impacto acústico que geram sobre a cidade fontes como o trânsito, infraestruturas ferroviárias ou aeroportos. O impacto acústico e avaliado pelo nível de pressão sonora ponderado A (LAeq) em dB, mediante um código de cores. Estes estudos de ruído permitem avaliar o numero de pessoas afetadas pela contaminação acústica, assim como simular os benefícios que produziriam diferentes ações mitigadoras, como poderia ser a redução do transito sobre o minhocão, a instalação de pavimentos fono-redutores, o um possível fechamento completo do viaduto (túnel acústico).

Os tuneis acústicos são soluções empregadas em entornos urbanos atravessados por vias expressas que resultam necessárias para a adequada mobilidade da cidade conseguindo compatibiliza-lha com o conforto acústico e o direito ao descanso.

Pesquisando na web, parece que já existem projetos para construção de um túnel acústico no Minhocão integrando a infraestrutura na paisagem urbano devolvendo a qualidade de vida aos residentes em um paisagem urbano e sonoro mais confortável e adequado para a realização das atividades típicas tanto dentro como fora de casa.

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.147/4455

O mapeamento acústico e uma ferramenta fundamental no planejamento urbano sustentável que consegue avaliar preditivamente o impacto acústico gerado por modificações urbanísticas e planejar as ações mitigadoras se for necessárias, permitindo escolher as alternativas de menor impacto.

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